4 de jan de 2013

Essa dor mal compreendida

Acabo de ler SAÚDE é CONSCIÊNCIA, livro escrito pelo Dr. Ricardo José de Almeida Leme, médico, neurocirurgião e, ao meu ver, um filósofo de primeira estirpe, do tipo "sei que nada sei". O autor é acessível no seu texto sobre saúde pleno de reflexões indispensáveis. Uma delas agora me atiça.

"Criar espaço interior é passo fundamental para dar significado à vida e viver com saúde". (Dr. R.J.A. Leme)

A psicanálise mostra que todos temos um sótão entulhado de bugigangas, tão cheio que de vez em quando uma delas despenca sobre a nossa vida consciente causando-nos um galo na testa ou uma ferida no pé; produzindo alterações no comportamento e sintomas em diferentes partes do corpo físico que levam sempre à uma mesma queixa: "alguma coisa me dói".

Eu costumava me perguntar "por que tanto me dói a cabeça? a coluna? o estômago?"
Essas dores, que a gente costuma chamar de minhas dores a partir de dado momento, quando elas se tornam habituais, são sinais, a maior parte de nós sabe disso, de que alguma coisa não está funcionando direito no organismo.

Hoje não mais me pergunto porque dói; quero saber para que me dói essa dor.O que exatamente ela está a me pedir para mudar? E percebo uma relação com o espaço interior, esse cantinho da alma de onde a vida flui, ilumina e alimenta as células dos órgãos do corpo físico. Compreendo que a utilidade de um vaso está no seu espaço vazio.

Enfim, essa dor mal compreendida dói para chamar atenção para o espaço infinito das nossas possibilidades humanas quando este espaço é abandonado por nós, vazio de sonhos, ideias, projetos, esperança, fé, e de confiança no poder inquestionável do amor.

Esta terra fértil, nosso precioso espaço interior, relicário da alma, quando dele nos esquecemos para viver tão somente as sensações da periferia do corpo, resta sem vida como o leito de um rio cujas águas secaram; perde utilidade, vitalidade, razão de existir.

Aquele que sente alegria em cultivar a essência, o conteúdo do vaso, torna-se capaz de transmitir bem estar aos que com ele convivem.

Quando nos tornamos vasos úteis e temos certeza de ser amados assim como somos, seres em aperfeiçoamento, mesmo diante do desgaste natural da matéria, recebemos
altas doses de energias revigoradoras e analgésicas. Quando se é feliz nada dói.