14 de mai de 2007

ADOLESCÊNCIA, O PRIMEIRO DESAFIO DO HERÓI

Amanhece: o sol desliza cuidadosamente sobre os poucos campos e os telhados muitos da cidade, como se viesse pé ante pé para não fazer barulho e acordar os homens antes da hora. Qual é a hora? Como saber a hora certa de acordar, levantar-se e agir?

Um grande mistério da vida é a adolescência, momento em que o sol nasce especialmente para acordar a criança e transformá-la em Homem, exortando-a: “vem viver, não precisa pensar agora, apenas experimente através dos seus sentidos; deixe a Natureza guiá-lo, orientar, ensinar, transformar, aprimorar ...” O processo poderá doer um pouco, apertar como sapato novo que se usa sem meia pela primeira vez, mas ... esta fantástica viagem será a primeira saga do pequeno herói, ao encontro de Apolo e Dionísio, para construir-se através da ordem, da harmonia, do equilíbrio e de seu contraponto: o caos. Dionísio dá as boas vindas: a festa começou.

O paradoxo de ser adolescente não é apenas uma característica do ser, mas um processo de muita velocidade e vitalidade. Enquanto o homem observa o mundo e reflete sobre ele, o adolescente pulsa. Enquanto o homem nega que seu maior medo é o medo de amar ( e de ser abandonado), o adolescente ignora que seu maior desafio é experimentar, e ousa. Entretanto, no curso desta travessia, ocorrerá a cristalização dos pertences da criança que cresce e a incorporação das crenças do ser adulto. Juntar as duas partes, buscando a ausência do conflito é a primeira grande tarefa do adolescente, este pequeno herói, que não escolhe, mas é convocado para o confronto. Crescer é experimentar insegurança, disciplina, desconstrução, paixão, incertezas dolorosas, esperanças, vertigem, temores, timidez, convicções inabaláveis, certezas eternas, ímpetos, arroubos, explosão, eixo, desleixo, lágrimas fartas e risadas recorrentes.


(*) Ajudar a crescer é abrir as janelas “eu te ouço”, “eu te aceito”, “eu te acaricio”, “eu estou aqui”. Tudo o mais eles serão capazes de fazer sozinhos.

10 de mai de 2007

Mito, filosofia e ciência e a produção de conhecimento

A filosofia tem sido a Grande Mãe paciente, cuidadora, cujas mãos habilidosas tecem mantos para agasalhar a alma inquieta dos homens, e também lógicas formais para satisfazer espíritos antigos e egos modernos; mãos que acalentam as filhas ciências, enquanto estas se entregam a profícuo labor na produção de conhecimento,exibindo algumas vezes o sorriso arrogante de quem se reconhece indispensável na arte de desvendar e explicar o universo.

Filha vaidosa, rainha do século XXI, a ciência corre o risco de tornar-se o mito pret-a-porter da atualidade.

A filosofia convida o homem a trilhar caminhos novos, e velhos caminhos de modos diferentes; aproxima-se delicadamente, observa com paciência indizível o transformar-se constante do ser humano, eternamente envolvido na tarefa de realizar-se através do trabalho e da liberdade, porque onde existe a práxis existe vida; onde existe escolha existe a manifestação da vontade, do desejo, e eis aí o homem. A filosofia nos ensina a enxergar, mais que ver; a buscar sentido na banalidade dos atos da vida.

Segundo Marx, o sustento é o principal impulso do homem. Para Freud, a libido. Qual seria o sabor de uma vida com pouca comida e pouco sexo? Seríamos magros ansiosos?

"Confie nos seus sentidos e não nos seus conceitos e preconceitos." Fritz Perls

O QUE É O HOMEM? VISÃO FILOSÓFICA

A filosofia, nascida do ventre amoroso dos mitos, tem sido a Grande Mãe paciente, cuidadora, cujas mãos de maravilhosa habilidade tecem mantos para agasalhar a alma inquieta dos homens, e lógicas formais para satisfazer e acalmar suas mentes antigas e seus egos modernos; mãos que acalentam as filhas ciências, enquanto estas se entregam ao profícuo labor nas busca de conhecimentos,(exibindo algumas vêzes o sorriso arrogante de quem se reconhece necessário e competente na arte de desvendar e explicar o universo.) Filha vaidosa, rainha do século XXI, a ciência corre o risco de tornar-se o mito pret-a-porter da atualidade.

A filosofia convida o homem a trilhar caminhos novos, e velhos caminhos de modos diferentes; aproxima-se delicadamente, observa com paciência indizível o transformar-se constante do ser humano, eternamente envolvido na árdua tarefa de realizar-se através do trabalho e da liberdade, porque onde existe a práxis existe vida; onde existe escolha existe a manifestação da vontade, do desejo, e eis que aí o homem existe!

Segundo Marx, o sustento é o principal impulso do homem. Para Freud, é a libido. Eu pergunto: é possível viver sem comida e sem sexo?

"Confie nos seus sentidos e não nos seus conceitos e preconceitos." Fritz Pearls

3 de mai de 2007

O menino e a ciência

O olhar extasiado do menino diante das realizações da ciência é um olhar meticuloso, objetivo, intenso e rigoroso; tem a precisão de um bisturi a cortar entre artérias; exibe a fascinação do discípulo diante da tutora exemplar e a mais absoluta confiança de que os cientistas atuam com extrema responsabilidade no que se refere à validade de seus métodos e às consequências de suas descobertas.

O rapaz se encanta e deixa seduzir pela competência metodológica da ciência na arte de produzir conhecimentos e de resolver os problemas humanos através de tecnologias espetaculares.

Auguste Comte, filósofo fundador do positivismo científico não previu o surgimento do mito do cientificismo. Mas a vestal encontra-se já assentada sobre o altar dos deuses, suas mãos generosas a distribuir verdades, seu discurso onipotente a seduzir os iniciados.

Ao filósofo, todavia, cabe observar e questionar os cientistas e os técnicos a respeito da função das tecnologias, dos benefícios que sejam capazes de proporcionar à humanidade. A ele cabe avaliar se o banquete oferecido pela ciência irá proporcionar liberdade com limites, satisfação ou alienação.

Mas o menino não tem tempo para ouvir o seu coração neste momento, ocupado que está ouvindo o troar do progresso. Em breve, recém saído dos campi, estará a caminho do “mercado”, formatado como mais um especialista, adestrado para tornar-se um “vencedor”, uma “fera” em sua área.

Por que não uma águia, olhos com zoom, flaps potentes, radares e uma tessitura humana cheia de afeto, bom humor, psicologicamente estável, capaz de planar sobre os picos e vales da natureza humana? ... entre gaivotas, pombas, eros e passarinhos.
Por que não?