12 de jul de 2007

A curiosidade como princípio

Ando a escrever sobre minhas neuroses, embora saiba quão trabalhosa é a tarefa de identificar as partes de um todo (topologia do inconsciente) incognoscível (ainda) e fascinante. Freud deixou uma grande herança; eu brinco com algumas moedas desta.

Sigo a razão, mas, claro, são minhas ferramentas também a intuição e a própriocepção; alguma coisa escorre pelos dedos da mão como água fresca, e misteriosamente sinto a frustração de não ser capaz de agarrar o líquido que me escorre de entre os dedos, embora reafirme a certeza dessa realidade manifestada em minha mão molhada: sim, a água existe e está aqui presente em minha mão molhada.

Apenas não consigo contê-la, a menos que tivesse dobrado a mão em concha.

Mas a realidade está sim manifestada na mão molhada, apenas não consegui retê-la.

Quero igualmente conter a neurose que se me escapa; examinar, descaracterizar, re-significar, apesar da fluidez com que se move.

Uma boa figura: retê-la ao menos, como faria com meu dedo indicador pressionando o rabo de um ratinho, fôsse este ratinho branco, não o modelo comportamental de Skinner, mas a neurose, ipsis litteris que eu quero conhecer.

Sócrates recomenda conhecer a si mesmo (nosce te ipsum) e para tanto não é preciso um agente de suposto saber (terapeuta) mas, através do bom senso, da boa observação e reflexão é possível adentrar o jardim grego para uma surpreendente aventura peripatética. Este pode ser um bom começo, na vida de qualquer pessoa, para o inefável processo de individuação (Jung).

14 de mai de 2007

ADOLESCÊNCIA, O PRIMEIRO DESAFIO DO HERÓI

Amanhece: o sol desliza cuidadosamente sobre os poucos campos e os telhados muitos da cidade, como se viesse pé ante pé para não fazer barulho e acordar os homens antes da hora. Qual é a hora? Como saber a hora certa de acordar, levantar-se e agir?

Um grande mistério da vida é a adolescência, momento em que o sol nasce especialmente para acordar a criança e transformá-la em Homem, exortando-a: “vem viver, não precisa pensar agora, apenas experimente através dos seus sentidos; deixe a Natureza guiá-lo, orientar, ensinar, transformar, aprimorar ...” O processo poderá doer um pouco, apertar como sapato novo que se usa sem meia pela primeira vez, mas ... esta fantástica viagem será a primeira saga do pequeno herói, ao encontro de Apolo e Dionísio, para construir-se através da ordem, da harmonia, do equilíbrio e de seu contraponto: o caos. Dionísio dá as boas vindas: a festa começou.

O paradoxo de ser adolescente não é apenas uma característica do ser, mas um processo de muita velocidade e vitalidade. Enquanto o homem observa o mundo e reflete sobre ele, o adolescente pulsa. Enquanto o homem nega que seu maior medo é o medo de amar ( e de ser abandonado), o adolescente ignora que seu maior desafio é experimentar, e ousa. Entretanto, no curso desta travessia, ocorrerá a cristalização dos pertences da criança que cresce e a incorporação das crenças do ser adulto. Juntar as duas partes, buscando a ausência do conflito é a primeira grande tarefa do adolescente, este pequeno herói, que não escolhe, mas é convocado para o confronto. Crescer é experimentar insegurança, disciplina, desconstrução, paixão, incertezas dolorosas, esperanças, vertigem, temores, timidez, convicções inabaláveis, certezas eternas, ímpetos, arroubos, explosão, eixo, desleixo, lágrimas fartas e risadas recorrentes.


(*) Ajudar a crescer é abrir as janelas “eu te ouço”, “eu te aceito”, “eu te acaricio”, “eu estou aqui”. Tudo o mais eles serão capazes de fazer sozinhos.

10 de mai de 2007

Mito, filosofia e ciência e a produção de conhecimento

A filosofia tem sido a Grande Mãe paciente, cuidadora, cujas mãos habilidosas tecem mantos para agasalhar a alma inquieta dos homens, e também lógicas formais para satisfazer espíritos antigos e egos modernos; mãos que acalentam as filhas ciências, enquanto estas se entregam a profícuo labor na produção de conhecimento,exibindo algumas vezes o sorriso arrogante de quem se reconhece indispensável na arte de desvendar e explicar o universo.

Filha vaidosa, rainha do século XXI, a ciência corre o risco de tornar-se o mito pret-a-porter da atualidade.

A filosofia convida o homem a trilhar caminhos novos, e velhos caminhos de modos diferentes; aproxima-se delicadamente, observa com paciência indizível o transformar-se constante do ser humano, eternamente envolvido na tarefa de realizar-se através do trabalho e da liberdade, porque onde existe a práxis existe vida; onde existe escolha existe a manifestação da vontade, do desejo, e eis aí o homem. A filosofia nos ensina a enxergar, mais que ver; a buscar sentido na banalidade dos atos da vida.

Segundo Marx, o sustento é o principal impulso do homem. Para Freud, a libido. Qual seria o sabor de uma vida com pouca comida e pouco sexo? Seríamos magros ansiosos?

"Confie nos seus sentidos e não nos seus conceitos e preconceitos." Fritz Perls

O QUE É O HOMEM? VISÃO FILOSÓFICA

A filosofia, nascida do ventre amoroso dos mitos, tem sido a Grande Mãe paciente, cuidadora, cujas mãos de maravilhosa habilidade tecem mantos para agasalhar a alma inquieta dos homens, e lógicas formais para satisfazer e acalmar suas mentes antigas e seus egos modernos; mãos que acalentam as filhas ciências, enquanto estas se entregam ao profícuo labor nas busca de conhecimentos,(exibindo algumas vêzes o sorriso arrogante de quem se reconhece necessário e competente na arte de desvendar e explicar o universo.) Filha vaidosa, rainha do século XXI, a ciência corre o risco de tornar-se o mito pret-a-porter da atualidade.

A filosofia convida o homem a trilhar caminhos novos, e velhos caminhos de modos diferentes; aproxima-se delicadamente, observa com paciência indizível o transformar-se constante do ser humano, eternamente envolvido na árdua tarefa de realizar-se através do trabalho e da liberdade, porque onde existe a práxis existe vida; onde existe escolha existe a manifestação da vontade, do desejo, e eis que aí o homem existe!

Segundo Marx, o sustento é o principal impulso do homem. Para Freud, é a libido. Eu pergunto: é possível viver sem comida e sem sexo?

"Confie nos seus sentidos e não nos seus conceitos e preconceitos." Fritz Pearls

3 de mai de 2007

O menino e a ciência

O olhar extasiado do menino diante das realizações da ciência é um olhar meticuloso, objetivo, intenso e rigoroso; tem a precisão de um bisturi a cortar entre artérias; exibe a fascinação do discípulo diante da tutora exemplar e a mais absoluta confiança de que os cientistas atuam com extrema responsabilidade no que se refere à validade de seus métodos e às consequências de suas descobertas.

O rapaz se encanta e deixa seduzir pela competência metodológica da ciência na arte de produzir conhecimentos e de resolver os problemas humanos através de tecnologias espetaculares.

Auguste Comte, filósofo fundador do positivismo científico não previu o surgimento do mito do cientificismo. Mas a vestal encontra-se já assentada sobre o altar dos deuses, suas mãos generosas a distribuir verdades, seu discurso onipotente a seduzir os iniciados.

Ao filósofo, todavia, cabe observar e questionar os cientistas e os técnicos a respeito da função das tecnologias, dos benefícios que sejam capazes de proporcionar à humanidade. A ele cabe avaliar se o banquete oferecido pela ciência irá proporcionar liberdade com limites, satisfação ou alienação.

Mas o menino não tem tempo para ouvir o seu coração neste momento, ocupado que está ouvindo o troar do progresso. Em breve, recém saído dos campi, estará a caminho do “mercado”, formatado como mais um especialista, adestrado para tornar-se um “vencedor”, uma “fera” em sua área.

Por que não uma águia, olhos com zoom, flaps potentes, radares e uma tessitura humana cheia de afeto, bom humor, psicologicamente estável, capaz de planar sobre os picos e vales da natureza humana? ... entre gaivotas, pombas, eros e passarinhos.
Por que não?

19 de abr de 2007

OS 300 DE ESPARTA - UMA VISÃO FILOSÓFICA DO FILME

A batalha de Termópilas registrada no filme apresenta atores de carne e osso atuando no cenário de um desenho animado riquíssimo nos efeitos e nas cores. Aqui se inicia a dualidade Fantasia x Realidade que vai permear a história.

Baseada em fatos reais - a batalha efetivamente aconteceu na região norte da Grécia, Ásia Menor, em 480 a.C. - o embate aqui ocorre entre gregos e persas - mas também entre DUAS IDÉIAS que se opõem tão ou mais vigorosamente do que os guerreiros envolvidos.

O Rei Leônidas (e o seu grupo de 300 espartanos) traduz a Ética e o uso convicto da Razão: pugna pela justiça, pela honra, pelo dever (de rei), pela dignidade e pelo respeito devido ao seu povo.

Xerxes incorpora de modo incomparável o ídolo andrógino (mitológico) na aparência inconfundível, nos gestos lentos e cheios de ambiguidade, no discurso capcioso (o querer "terra e água" - que já os tinha muito e deles não precisava, embora os quizesse) e a fala direta: que Leônidas (a Razão) dobrasse seus joelhos diante do Poder. Esta sim, para Xerxes, a maior conquista individual.

Xerxes aparece em tamanho gigantesco para um homem, o que não é, e a sua vontade poderosa (exercício arbitrário do Poder) busca tão somente aniquilar a Razão e impedir que o Rei Leônidas seja lembrado pela posteridade - o que não ocorre, pois o rei espartano é "pessoa" viva na memória e na História dos povos após 2.500 anos.

São alguns símbolos míticos percebiddos ao longo do filme:

O Lobo - o confronto do adolescente Leônidas com o seu inconsciente. Matar o lobo é atravessar o portal e renascer herói+homem para que possa retornar à sua cidade e enfim tornar-se rei.

Xerxes - manifestação do Poder (irracional), destruidor dos valores éticos e das estruturas morais (e físicas) dos "outros homens. Assim funcionam muitos governantes no mundo de hoje.
Busca matar os guerreiros (consegue) e as idéias (divergentes das suas), o que NÃO consegue. Apesar de o espartano corrupto do Conselho declarar que todo homem tem seu prêço, a ética de Leônidas irá prevalecer.

Corcunda - o homem bruto (grande massa física, mínima razão). Atendido nas suas necessidades fisiológicas básicas (representadas no filme pela festa com mulheres, "circo", "pão" e sexo) prontamente se ajoelha diante do Poder do deus-rei Xerxes; o homem ignorante docilmente submete-se.

Homem sem cérebro - o gigante feroz igualmente não pensa; é puro instinto (não governado e não governável) a exibir sua potência destruidora. Uma sociedade de homens auto-orientados pelo instinto, não pensantes, não regulados, não conscientes dos limites e barreiras necessários para o exercício responsável da Liberdade, do Amor e da Honra, nada constrói para si nem por si.

A Oráculo - ponte entre os homens e os deuses (arquétipo). O ritual da invocação é desvirtuado pelos velhos encapuzados que aí representam uma "lei" que deveria ser respeitada até mesmo pelo Rei Leônidas. O Oráculo (a consulta) se desvirtua na medida em que os procedimentos são manipulados a favor dos persas e contra os espartanos (corrupção). Leônidas sai dali abatido e enfraquecido pois tal é o efeito da corrupção sobre as normas éticas, por ele ali representadas.

A Rainha Gorgo manifesta o equilíbrio entre a anima e o animus: o rei ama, respeita, consulta, ouve e considera as opiniões de sua rainha. Especialmente, faz sexo com ela com a naturalidade que sói haver entre um homem e uma mulher. (Vale ressaltar que em Esparta as mulheres eram consideradas meramente procriadoras, parideiras de homens preciosos.)

No filme a Rainha Gorgo tem papel de destaque e função política espetacular. Na ausência do rei enfrenta a corrupção, e, o que é esplendoroso, ganha a batalha específica no campo da política e da argumentação. Talvez por isso sofra a agressão padrão que mesmo dos dias de hoje é desferida contra mulheres que se destacam: o conselheiro corrupto tenta reduzir a estatura feminina mediante o recurso covarde da desqualificação moral chamando a rainha de vadia.

Em resumo, Xerxes vence a batalha em campo ao aniquilar fisicamente os guerreiros espartanos, mas NÃO VENCE o embate das idéias (Razão). O Rei Leônidas passa à História como Homem Histórico Forte, possuidor de valores tais como: coragem, amizade,amor, honra, dever, lealdade e solidariedade ...

16 de abr de 2007

A LIBERDADE DE NÃO IR E NÃO VIR

SE EXISTE UMA SEARA A EXIGIR DO HOMEM IGUALMENTE CAUTELA E OUSADIA, ESTA CHAMA-SE LIBERDADE. NAS PALAVRAS DE SARTRE O HOMEM ESTÁ CONDENADO À EXERCER A SUA LIBERDADE PARA O BEM E PARA O MAL.
ESCOLHO A LUZ, FURTO-ME A SOMBRA. ESCOLHO O DOCE, PERCO O SALGADO. E POR AÍ VAI.

PARECE-ME QUE SER LIVRE É SABER DISCRIMINAR OS LIMITES ENTRE "EU QUERO" E "EU NÃO QUERO", MAS GUIAR-SE POR UM CRITÉRIO IDEAL QUE NÃO PERMITA CONSTRANGIMENTOS. NADA QUE ME FORCE, OU AGRIDA; ME PRESSIONE, ME INDUZA, SEQUER ME SUGIRA CAMINHOS QUE EU NÃO QUEIRA TRILHAR. SE MEU DESEJO É FICAR, SOU LIVRE PARA NÃO IR.

TUDO O QUE PRECISO PARA SER LIVRE É MANIFESTAR MINHA SOBERANA VONTADE.TODAVIA, FEITA A MINHA ESCOLHA, PAGO POR ELA. NESTE MOMENTO A RESPONSABILIDADE ME PISCA OLHOS DE BRILHANTE SENSATEZ.

SE AS MINHAS ESCOLHAS SERÃO BOAS OU MÁS ... AÍ JÁ É OUTRA HISTÓRIA.

13 de abr de 2007

O MISTÉRIO DAS BRUXAS

BOM DIA FLOR DIA! BOA SEXTA FEIRA TREZE PRA VOCÊ TAMBÉM


As Bruxas formam o mito do oculto, do secreto, do poder misterioso que nos pode subjugar e do qual não sabemos como nos defender. Temer a Bruxa é atitude do ignorante, daquele que "não conhece" as bruxas, pois na verdade, a Bruxa nada mais é do que uma Fada que gosta de fazer amor, possuidora de vontade própria, de desejos, convicções, iniciativa e força para vencer desafios.
Veste preto porque esta cor inibe todas as outras (e as contém), o que a protege das irradiações negativas (quebrante não "pega" nas bruxas). Experimente olhar com simpatia para esta fascinante criatura que sabe tão bem usar uma "vassoura". Debaixo daquele chapéu preto básico há um cérebro efervescente, olhos de ver, nariz de cheirar, boca de sussurrar, ouvidos de ouvir e uma risada franca de quem não tem medo de encarar a vida. (além de que a verruga no nariz não passa de mito, é coisa da oposição, invejosa do charme magnético desta princesa encantada).
Faça da Bruxa uma amiga; ela é simplesmente ótima; amiga das amigas e enamorada encantadora para os seus enamorados.
PS: a Bruxa é fiel, enquanto durar a paixão.

FELIZ DIA DAS BRUXAS - FELIZ SEXTA FEIRA TREZE

12 de abr de 2007

SAUDADE

SAUDADE VISITA TODOS OS CORAÇÕES
PRESTE ATENÇÃO, VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ COM A SUA SAUDADE

Saudade, embora tanto doa
Por certo não dói à toa
Nem é só pra machucar

Saudade é busca de alguém
Que agora já é ninguém
Que se foi ... não quer voltar.

Meus suspiros, minhas penas
Minhas dores são apenas
Essa falta de você

Do seu cheiro e do seu jeito
Do seu riso satisfeito
De que eu gosto e sei porque.

Que pena que estou sofrendo
amando ainda
e aprendendo
o ritual do adeus ...

Eros, pequenino deus do Amor continua a voar a redor dos amantes!

7 de abr de 2007

Uma reflexão no jardim

Véspera de aniversário: um pé na soleira dos sessenta anos, um jeito de não é comigo, dou de cara com Heráclito no jardim! "Tudo se move o tempo todo, nada está no mesmo lugar, piscou, já mudou."

Deparei-me com o Tempo enquanto passeava no jardim. Quedei-me a filosofar debaixo do céu onde os deuses inventados pelos homens e o Criador que me inventou no ventre de minha mãe observavam o meu pensar. Pensei na figura de uma vela acesa, chama trêmula a consumir a cêra de abelha, a cêra a alimentar o fogo, o fogo a produzir fumaça e esta a desmanchar a sua essência no ar... Ar no qual voam as abelhas e os anos de minha vida a reafirmar o tempo. Tempo que dá ao meu corpo mais vagar, porém maior faz o vigor e o poder de minha alma cada dia mais alerta .

APÓS ESTE MOMENTO NO JARDIM PERDI O MEDO DO TEMPO. Não há mais receio de caminhos que levam a lugares desconhecidos, por onde antes seguiram amores e amigos. Não cabe mais preocupação pela minha hora e vez porque sei que sou a chama, a fumaça, o ar, como sei também que minha alma vai voar com as abelhas e que sou e serei o néctar, o mel, a cêra, a areia do deserto, a estrela do céu. Assim como sou desde já a gota de orvalho, a célula faceira que brilha no olhar de um filho, de um neto. Sei que apesar de seguir em direção ao futuro, estarei para sempre no presente, trabalhando e existindo. E as fadas continuarão voando ao redor...