27 de jun de 2009

O Mito Vazio - parte 2

O Iluminismo, a época da razão, deu cabo dos deuses, mas não da função psíquica por eles representada; os conteúdos arcaicos reprimidos resultam ainda mais fortelecidos e atuantes.

O homem civilizado elabora seu mito vazio; se assume como um deus de plenos poderes sobre a natureza, manifestando a negação do primitivo e a recusa obstinada à integração de Logos e Eros.

Para o 'homo vanitas', bugigangas hi-tec são adornos indispensáveis. Não apenas rodeia-se de botões, circuitos, antenas, fios, telas, teclados e que tais, extrapolando a inegável utilidade dos bens que adquire, como, igual e principalmente, incorpora, veste-se e reveste-se com os adereços eletrônicos de última geração. Usa e abusa dos implantes, chips, modeladores plásticos, silicones, lipos e lentes, fetiches de todo tipo, e passa a exibir com orgulho desmedido o seu super-hiper falus psicológico.

Por onde vai, o homem civilizado arrasta o manto do personalismo, remendado com os trapos do egoísmo e rebordado com as marcas tribais da hostilidade... absolutamente alheio ao levante de forças psíquicas, inadvertidamente reprimidas, e que paradoxalmente o precipitam na irracionalidade e na loucura (elaborada) dessa sociedade pré-psicótica em que vivemos.


- "Sou brilhante. Sou top. Sou 'verde'. Sou politicamnte correto. Sou qualificado para as atuais demandas de mercado". Sou o 'homo vanitas', criador do mito vazio.

Parece-me que a caverna de Platão virou a casa-da-mãe-Joana.

(continua)

Porta D'água - poemas e fragmentos do livro NUA

Sob o título Porta D'água você encontrará poemas e fragmentos do livro NUA, de minha autoria, editado em 1988.


EVOLUÇÃO



Evoluir não é querer ser borboleta
Sem ter sido a larva mísera e preta
Não é, sem ter atravessado o lodo escuro,
Nascer o lírio, perfumado e puro.


É dia após dia renascer
É tropeçar nas faltas e pecados
É ressurgir dos erros praticados
É prosseguir
Cair
E outra vez se erguer.


Evoluir é depurar a alma cativa
É lapidar a pedra rude e viva
Dar-lhe a aresta, o brilho e o destino


Evoluir é retirar lições das dores
Dos espinhos retirar as flores
E do erro o máximo de ensino.

***

26 de jun de 2009

O Mito Vazio: o homem em busca da onipotência

Acredito que em nossos dias não há pessoa que não tenha ainda experimentado um certo vazio, um sentimento de inadequação, de falta de sentido ou propósito para a própria vida.

Esta é uma sensação doída de não viver, de apenas reagir aos estímulos do dia a dia. É então que facilmente nos deixamos seduzir pela deusa Vanitas, quando ela se põe a ciciar docemente em nossos ouvidos e a nos açular de forma diabólica:

"Mais que o gênio da lãmpada, posso oferecer-lhe a satisfação de todos os seus desejos."

Parece-nos proposta suficiente para que saiamos correndo atrás da própria sombra, em busca da felicidade, essa felicidade que "está apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos" (poeta Vicente de Carvalho).

O objetivo de Prometeu, oferecendo ao homem a tecnologia e o progresso, parece ter se desvirtuado, uma vez que o homem civilizado vem dedicando-se à paradoxal construção de um genérico de si mesmo. E assim produz o mito vazio, a negação de si mesmo.

A elaboração do mito vazio é incoerente, ingênua até, pois anseia pelo status de arquétipo, não através da sedimentação lenta e progressiva nos campos do inconsciente coletivo, mas pela sua presença recorrente nos salões da ideologia.
A pretensa onipotência dos egos inflados só faz produzir alienação entre os homens e o esvaziamento dos seus valores.

O mito vazio é o mito da onipotência, mas o que faz é transformar os homens em balões de ensaio vazios e murchos. (continua)

25 de jun de 2009

Mandala , o Círculo mágico

Mandala, em sânscrito, significa círculo mágico, como é largamente sabido.
Dentro deste círculo são riscadas linhas, figuras geométricas e cores que se organizam de forma simbólica, resultando em um campo de energia, fazendo da mandala um símbolo, cuja característica principal é a de produzir sentimentos de qualidade elevada, além de facilitar ao inconsciente manifestar-se através de emoções e sentimentos que podem ser intensos e vívidos ou suaves e apaziguadores.

A finalidade de se desenhar uma mandala é o ato de contemplar e meditar, produzindo na mente um padrão benéfico de elevação espiritual, através da conexão entre a mandala e seu observador.

A mandala desenhada por nós torna-se um símbolo pessoal que naturalmente nos permite acessar ideias, lembranças e significados individuais e coletivos. A mandala é um símbolo, e como tal, é o registro visível de uma verdade invisível.

Segundo o médico Paulo Urban "Mandalas são portas quânticas para outros níveis de consciência."

Nas palavras do filósofo medieval Nicolau de Cusa: "Deus é uma esfera cujo centro está por toda parte, embora sua circunferência não O delimite em parte alguma".

Segundo estudos e pesquisas de C.G.Jung, as mandalas surgem como expressão espontânea na arte, na religião e nos mitos dos povos de todos os cantos da terra, em todas as épocas. O deus egípcio Rá era representado pelo disco solar. A Távola Redonda do rei Arthur, as danças circulares dos celtas, as pedras de Stonehedge (arrumadas em círculo), a teia de aranha, o ninho dos passarinhos; Ártemis, Hécate e Selene, deusas da Lua; o sistema solar, o floco de neve, o girassol, a margarida, a rosa-dos-ventos, as rosáceas das catedrais (Notre-Dame, por exemplo, uma das mais famosas), o coração, o cérebro, os chakras...são expressões de símbolos mandálicos.

O Self, arquétipo da totalidade, centro organizador da psique, é incognoscível, mas manifesta-se nos sonhos nas formas simbólicas da totalidade: o círculo, a cruz, o quadrado, o YinYang...e estes são todos exemplos de mandalas.

Venho utilizando de modo terapêutico exercícios com mandalas que têm auxiliado no abrandamento de fobias e eventos de pânico.

Neste blog;
Você tem medo de quê?

Para saber mais, leia "O Segredo da Flor de Ouro", (Jung/Wilhelm.Ed. Vozes)

7 de jun de 2009

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A ideia primeira é relacionar a elaboração dos mitos e a prática dos ritos com a prospecção feita pela psicanálise na mente inconsciente, e tentar estabelecer uma aproximação entre a ciência (psicanálise, assim estabelecida por Freud) e a espiritualidade (intuição, própriocepção, transpessoalidade, fenômenos mediúnicos) como exemplos contidos no devir (Heráclito), ambos, ciência e espiritualidade, igualmente comprometidos com a manifestação de seriedade e competência para explicar o mundo e seus fenômenos.

O mito fala da experiência humana, ("fala de nós mesmos" segundo J. Campbell) da intuitiva sabedoria demonstrada desde sempre através do fluxo constante dos eventos psíquicos, acausais, arquetípicos, surpreendentes não só pela "absoluta naturalidade" (natureza) de sua ocorrência como também pela regularidade com que se manifestam no tempo e no espaço. Ocorrem aleatoriamente o tempo todo, em todos os lugares e na vida de todas as pessoas (ad infinitum).

Este blog tem por norte a afirmação de que a espiritualidade é uma dimensão da psique humana; de que o homem é um sistema integrado em movimento contínuo de expansão e contração (Homem=Universo); de que o Todo é maior que a soma das partes (Gestalt)...

"Qual vida se vive além da realidade, a lenda realidade?" (Bockmann)

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento." (Clarica Lispector)

5 de jun de 2009

VIAGEM AO MUNDO DA CONSCIÊNCIA

A Natureza está sempre aprimorando sua obra, tanto que seu produto mais elaborado, top de linha, jóia da coroa, vem sendo meticulosamente lapidado, através dos séculos,a revelia do seu maior beneficiário, o homem, que menos ajuda e mais atrapalha, enrolado no novelo do uso e abuso daquilo que chamamos CONSCIÊNCIA.

Há pesquisas modernas sobre a CONSCIÊNCIA: para ali se voltam a psicologia do futuro, as neurociências, os cérebros antenados dos cientistas, as imponderáveis intuições das sibilas, os corações dos simples (aqueles que herdarão o reino dos céus), a metapsicologia, a neurolinguística também, entre muitos outros...

A Natureza faz brotar essa semente (imagine quando a consciência virar flor!!)no torrão chamado cérebro (para alegria dos materialistas) e, de repente, lá vai a florzinha brotar na terra fofinha, na água, no ar, como se não precisasse exatamente de um substrato, algo assim como "um raio de luz, a brincar de ser ou não ser". (Shakespeare).

Estados alterados de consciência têm muito a nos ensinar (neurocientistas, psicólogos, psicanalistas, xamãs, etc) Talvez a lição primeira seja SENTIR antes de PENSAR. Talvez...

"Maravilhas nunca faltam ao mundo, o que falta é a capacidade de senti-las.