3 de jul de 2009

Mitologia e Terapia

Espaço Livre - Estudos Psicanalíticos



Encontros Terapêuticos

Módulo 1

Desenhando Mandalas - os efeitos benéficos e pacificadores das mandalas; seu uso prático na superação de fobias (síndrome do pânico).

Módulo 2

Deusas da Lua e o Sagrado Feminino - a mulher e suas fases. Identificar a multiplicidade do perfil feminino nas suas manifestações aparentemente contraditórias, antagônicas e paradoxais, através das deusas da lua Ártemis, Selene, Hécate e Lilith; Phoebe e Leto. Identificar e comparar as diversas deusas da lua: desde a prosaica deusa Selene até a intensa e primitiva deusa da lua negra Lilith.

Módulo 3

Conflitos entre mães e filhas e avós: a repetição como destino? Mensagens bruxas, tão frequentes no discurso materno, podem ser identificadas pelas filhas e não repetidas aos seus filhos, de modo a não corromper essa relação de amor, mesmo que pautada pela ambivalência. (Deméter e Perséfone; Medusa, a mãe má.)

Através da mitologia é possível construir novos caminhos para a aquisição de auto-conhecimento, identificar razões de muitas de nossas dificuldades emocionais e ao mesmo tempo desenvolver novos padrões de comunicação que venham a facilitar uma vida conscientemente auto-dirigida.

2 de jul de 2009

Afinal, o que deseja uma mulher?

Filósofos, poetas, psicanalistas, muitos homens têm procurado compreender e explicar o que deseja uma mulher.

Deusa poderosa, anjo misterioso, bruxa sorrateira, Eva ardilosa, sereia sedutora, estas são algumas das "faces elaboradas de mulher, sempre a atrair 'pobres' homens para os descaminhos do prazer e da perdição".

Mil mistérios rodopiam no imaginário masculino, reproduzindo nos homens a intensa perplexidade de Adão, que, fraco e inseguro, foi queixar-se ao Todo Poderoso: "Senhor, a mulher que Tu me deste induziu-me ao erro, ofereceu-me a maçã e eu comi."(Eximiu-se da culpa responsabilizando a mulher pelo "pecado" que ambos cometeram.)

Certo é que a mulher é possuidora dos mistérios da vida, dos ciclos da terra e da lua. A mulher recebe a semente do homem dentro da sua carne no ritual mais sagrado que existe: o Hierosgamos(a união do Sol e da Lua, na Alquimia).

A mulher concebe e faz amadurecer o fruto dentro de si, nutre-o e no tempo certo dá à luz. Este é o grande poder da Deusa, também chamado de Sagrado Feminino.

São atributos do Sagrado Feminino a intuição mais sutil, o sexto sentido mais apurado, a compaixão, a transmutação e o amor.

Sem dúvida o maior amor é aquele de uma mãe por seu filho. (Lembremo-nos do amor incondicional de Dânae, Deméter, Virgem Maria, entre tantos, e até mesmo da desconhecida mulher que clamava por seu filho diante do sábio rei Salomão, visto que disputava com uma impostora o seu direito materno.)

Nos dias atuais, porém, não mais celebramos os rituais do Sagrado Feminino - os rituais da menarca, do primeiro encontro sexual, do casamento como convergência de almas e não de conveniências sociais, da chegada da menopausa clamando por mais reflexão e menos lipoaspiração ... nos dias atuais assistimos, atônitos, ao desequilíbrio das almas e dos corpos femininos, ao nosso afastamento melancólico do inconsciente coletivo.

Atualmente, muitas mulheres passaram a fazer uso dos valores e estruturas de controle patriarcais, os mesmo que criticaram e combateram na sua luta (justa) por direitos iguais.

Elas talvez não percebam o processo de mimetismo no qual estão se envolvendo; a repetição do arcaico modelo masculino: alta competitividade, crítica exacerbada, atitudes inflexíveis, discurso e performance copiados do padrão masculino de agir.

Parece que a mulher do século XXI "chutou o pau da barraca": não apenas busca igualar-se ao homem em direitos, oportunidades e valorização, como também resolveu extrapolar nos abusos, e de oprimida passar igualmente a opressora.( Talvez seja esta apenas uma fase de transição, espero...)

O comportamento reativo desta mulher corre o risco de transformar o homem, de companheiro e ajudador, em acessório obsoleto, já que muitas delas hoje demonstram orgulho equivocado em manusear furadeiras, trocar lâmpadas queimadas, em abrir para si mesmas as portas do sucesso, em pisar os tapetes da autonomia com os pés aristocratas de quem se basta! Capazes até mesmo de congelar seus óvulos com vistas a supostas e heróicas produções independentes...

Falo em tendências atuais, em fortes e recorrentes mudanças de comportamentos, que nos levam a considerar, diante do desencontro mítico entre o Sol e a Lua, "Para que serve um homem?" (na vida destas 'mulheres com super poderes'), em contraponto à famosa pergunta feita por Freud: "Afinal, o que deseja uma mulher?"

O que saberá uma mulher sobre o seu desejo e a sua vontade?

Apesar dessa "revolução comportamental" as mulheres conservam ainda
sua feminilidade. Anseiam por carinho e por sexo prazeroso, ombros aconchegantes, ouvidos interessados, olhares de admiração, sorrisos de aprovação e manifestação inequívoca de amor e comprometimento, fidelidade e segurança emocional e material.

Desejosas de seus companheiros, indagam, paradoxal, sincera e surpreendentemente: "Por onde andam os homens que valem a pena? Onde está o alfa líder"

Talvez fechados "para balanço". Solteiros, casados e descasados parecem assustados com tantas demonstrações de auto-suficiência feminina.

Não podemos nos esquecer de que os homens tem seus sentimentos e emoções, os quais esperam sejam considerados; também desejam consistentes trocas afetivas, não apenas 'aquilo' que as mulheres imaginam, mas, claro, 'aquilo' também.(Ainda bem...)

E por onde andam as amigas confidentes?

Talvez em busca de um tempo para entender o porquê da inveja, da fofoca e da falta de apoio mútuo que permeiam as relações pessoais e socias (competitivas) das mulheres atuais, ou, quem sabe, também estejam embaraçadas nos novelos das suas próprias conquistas equivocadas, não dispondo de tempo para fortalecer amizades.

O fato é que as mulheres tem corrido atrás do sucesso, deixando para trás a vitória que é conquistar não apenas "o pão nosso", mas também a porção suficiente de contentamento para cada dia.

Dia que pode ser cor-de-rosa, dedicado às trocas espontâneas de afeto, à contemplação de si mesma, ao permitir-se o aflorar da intuição e da sensibilidade, e ao deixar-se levar pela doce magia do Sagrado Feminino, porque onde existe amor não existe disputa pelo poder.

No mito de Eros e Psiquê é essencial o apoio de Eros para que a humana princesa Psiquê venha a transformar-se em deusa no Olimpo. Da integração entre o Animus e a Anima nasce Prazer (ou Êxtase) a filha de ambos os deuses Eros e Psiquê.

E viveram felizes para sempre ...

"O meu amado meteu a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram de amor por ele." (Cantares de Salomão 5;4)

27 de jun de 2009

O Mito Vazio - parte 2

O Iluminismo, a época da razão, deu cabo dos deuses, mas não da função psíquica por eles representada; os conteúdos arcaicos reprimidos resultam ainda mais fortelecidos e atuantes.

O homem civilizado elabora seu mito vazio; se assume como um deus de plenos poderes sobre a natureza, manifestando a negação do primitivo e a recusa obstinada à integração de Logos e Eros.

Para o 'homo vanitas', bugigangas hi-tec são adornos indispensáveis. Não apenas rodeia-se de botões, circuitos, antenas, fios, telas, teclados e que tais, extrapolando a inegável utilidade dos bens que adquire, como, igual e principalmente, incorpora, veste-se e reveste-se com os adereços eletrônicos de última geração. Usa e abusa dos implantes, chips, modeladores plásticos, silicones, lipos e lentes, fetiches de todo tipo, e passa a exibir com orgulho desmedido o seu super-hiper falus psicológico.

Por onde vai, o homem civilizado arrasta o manto do personalismo, remendado com os trapos do egoísmo e rebordado com as marcas tribais da hostilidade... absolutamente alheio ao levante de forças psíquicas, inadvertidamente reprimidas, e que paradoxalmente o precipitam na irracionalidade e na loucura (elaborada) dessa sociedade pré-psicótica em que vivemos.


- "Sou brilhante. Sou top. Sou 'verde'. Sou politicamnte correto. Sou qualificado para as atuais demandas de mercado". Sou o 'homo vanitas', criador do mito vazio.

Parece-me que a caverna de Platão virou a casa-da-mãe-Joana.

(continua)

Porta D'água - poemas e fragmentos do livro NUA

Sob o título Porta D'água você encontrará poemas e fragmentos do livro NUA, de minha autoria, editado em 1988.


EVOLUÇÃO



Evoluir não é querer ser borboleta
Sem ter sido a larva mísera e preta
Não é, sem ter atravessado o lodo escuro,
Nascer o lírio, perfumado e puro.


É dia após dia renascer
É tropeçar nas faltas e pecados
É ressurgir dos erros praticados
É prosseguir
Cair
E outra vez se erguer.


Evoluir é depurar a alma cativa
É lapidar a pedra rude e viva
Dar-lhe a aresta, o brilho e o destino


Evoluir é retirar lições das dores
Dos espinhos retirar as flores
E do erro o máximo de ensino.

***

26 de jun de 2009

O Mito Vazio: o homem em busca da onipotência

Acredito que em nossos dias não há pessoa que não tenha ainda experimentado um certo vazio, um sentimento de inadequação, de falta de sentido ou propósito para a própria vida.

Esta é uma sensação doída de não viver, de apenas reagir aos estímulos do dia a dia. É então que facilmente nos deixamos seduzir pela deusa Vanitas, quando ela se põe a ciciar docemente em nossos ouvidos e a nos açular de forma diabólica:

"Mais que o gênio da lãmpada, posso oferecer-lhe a satisfação de todos os seus desejos."

Parece-nos proposta suficiente para que saiamos correndo atrás da própria sombra, em busca da felicidade, essa felicidade que "está apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos" (poeta Vicente de Carvalho).

O objetivo de Prometeu, oferecendo ao homem a tecnologia e o progresso, parece ter se desvirtuado, uma vez que o homem civilizado vem dedicando-se à paradoxal construção de um genérico de si mesmo. E assim produz o mito vazio, a negação de si mesmo.

A elaboração do mito vazio é incoerente, ingênua até, pois anseia pelo status de arquétipo, não através da sedimentação lenta e progressiva nos campos do inconsciente coletivo, mas pela sua presença recorrente nos salões da ideologia.
A pretensa onipotência dos egos inflados só faz produzir alienação entre os homens e o esvaziamento dos seus valores.

O mito vazio é o mito da onipotência, mas o que faz é transformar os homens em balões de ensaio vazios e murchos. (continua)

25 de jun de 2009

Mandala , o Círculo mágico

Mandala, em sânscrito, significa círculo mágico, como é largamente sabido.
Dentro deste círculo são riscadas linhas, figuras geométricas e cores que se organizam de forma simbólica, resultando em um campo de energia, fazendo da mandala um símbolo, cuja característica principal é a de produzir sentimentos de qualidade elevada, além de facilitar ao inconsciente manifestar-se através de emoções e sentimentos que podem ser intensos e vívidos ou suaves e apaziguadores.

A finalidade de se desenhar uma mandala é o ato de contemplar e meditar, produzindo na mente um padrão benéfico de elevação espiritual, através da conexão entre a mandala e seu observador.

A mandala desenhada por nós torna-se um símbolo pessoal que naturalmente nos permite acessar ideias, lembranças e significados individuais e coletivos. A mandala é um símbolo, e como tal, é o registro visível de uma verdade invisível.

Segundo o médico Paulo Urban "Mandalas são portas quânticas para outros níveis de consciência."

Nas palavras do filósofo medieval Nicolau de Cusa: "Deus é uma esfera cujo centro está por toda parte, embora sua circunferência não O delimite em parte alguma".

Segundo estudos e pesquisas de C.G.Jung, as mandalas surgem como expressão espontânea na arte, na religião e nos mitos dos povos de todos os cantos da terra, em todas as épocas. O deus egípcio Rá era representado pelo disco solar. A Távola Redonda do rei Arthur, as danças circulares dos celtas, as pedras de Stonehedge (arrumadas em círculo), a teia de aranha, o ninho dos passarinhos; Ártemis, Hécate e Selene, deusas da Lua; o sistema solar, o floco de neve, o girassol, a margarida, a rosa-dos-ventos, as rosáceas das catedrais (Notre-Dame, por exemplo, uma das mais famosas), o coração, o cérebro, os chakras...são expressões de símbolos mandálicos.

O Self, arquétipo da totalidade, centro organizador da psique, é incognoscível, mas manifesta-se nos sonhos nas formas simbólicas da totalidade: o círculo, a cruz, o quadrado, o YinYang...e estes são todos exemplos de mandalas.

Venho utilizando de modo terapêutico exercícios com mandalas que têm auxiliado no abrandamento de fobias e eventos de pânico.

Neste blog;
Você tem medo de quê?

Para saber mais, leia "O Segredo da Flor de Ouro", (Jung/Wilhelm.Ed. Vozes)

7 de jun de 2009

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A ideia primeira é relacionar a elaboração dos mitos e a prática dos ritos com a prospecção feita pela psicanálise na mente inconsciente, e tentar estabelecer uma aproximação entre a ciência (psicanálise, assim estabelecida por Freud) e a espiritualidade (intuição, própriocepção, transpessoalidade, fenômenos mediúnicos) como exemplos contidos no devir (Heráclito), ambos, ciência e espiritualidade, igualmente comprometidos com a manifestação de seriedade e competência para explicar o mundo e seus fenômenos.

O mito fala da experiência humana, ("fala de nós mesmos" segundo J. Campbell) da intuitiva sabedoria demonstrada desde sempre através do fluxo constante dos eventos psíquicos, acausais, arquetípicos, surpreendentes não só pela "absoluta naturalidade" (natureza) de sua ocorrência como também pela regularidade com que se manifestam no tempo e no espaço. Ocorrem aleatoriamente o tempo todo, em todos os lugares e na vida de todas as pessoas (ad infinitum).

Este blog tem por norte a afirmação de que a espiritualidade é uma dimensão da psique humana; de que o homem é um sistema integrado em movimento contínuo de expansão e contração (Homem=Universo); de que o Todo é maior que a soma das partes (Gestalt)...

"Qual vida se vive além da realidade, a lenda realidade?" (Bockmann)

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento." (Clarica Lispector)

5 de jun de 2009

VIAGEM AO MUNDO DA CONSCIÊNCIA

A Natureza está sempre aprimorando sua obra, tanto que seu produto mais elaborado, top de linha, jóia da coroa, vem sendo meticulosamente lapidado, através dos séculos,a revelia do seu maior beneficiário, o homem, que menos ajuda e mais atrapalha, enrolado no novelo do uso e abuso daquilo que chamamos CONSCIÊNCIA.

Há pesquisas modernas sobre a CONSCIÊNCIA: para ali se voltam a psicologia do futuro, as neurociências, os cérebros antenados dos cientistas, as imponderáveis intuições das sibilas, os corações dos simples (aqueles que herdarão o reino dos céus), a metapsicologia, a neurolinguística também, entre muitos outros...

A Natureza faz brotar essa semente (imagine quando a consciência virar flor!!)no torrão chamado cérebro (para alegria dos materialistas) e, de repente, lá vai a florzinha brotar na terra fofinha, na água, no ar, como se não precisasse exatamente de um substrato, algo assim como "um raio de luz, a brincar de ser ou não ser". (Shakespeare).

Estados alterados de consciência têm muito a nos ensinar (neurocientistas, psicólogos, psicanalistas, xamãs, etc) Talvez a lição primeira seja SENTIR antes de PENSAR. Talvez...

"Maravilhas nunca faltam ao mundo, o que falta é a capacidade de senti-las.