5 de abr de 2013

UMA AUSÊNCIA TANGÍVEL

Ah, esse abismo entre o saber e o sentir! Sei que há tempo para abraçar e tempo para deixar de abraçar, tempo de chegar e tempo de ir-se embora... Sei que preciso aprender agora a abrir meus braços e deixar que um pedacinho do meu coração seja levado pela minha doce Babí, para que ela não se sinta sozinha na sua "viagem".

O fato: após doze anos de alegrias e companheirismo, a pequenina "salsicha" Babí se deixou levar para um lugar aonde ainda não posso ir. Houve carinho até o final e os olhos dela refletiam muito mais coragem do que os meus.

O vínculo: dividimos momentos sublimes de nossas vidas; corremos no parque, nadamos no rio, viajamos por estradas, passamos um Natal em solitude, apenas nós duas e os Anjos, assistimos a novela juntas, adoecemos algumas vezes, saramos, choramos e nos consolamos como amigas verdadeiras, capazes de advinhar o mais sutil pensamento uma da outra. De todos os cãezinhos que tive, e foram muitos, de todos que muito amei, Babí foi aquela que mais me amou e me fez feliz, apenas por estar ao meu lado, sem exigência alguma, a me fitar com seus luminosos olhos redondos de jabuticabas.

O presente: ela repousa agora no jardim de casa. Continua perto de mim, negando o abandono e até mesmo a saudade, com sua ausência tangível, pois que consigo percebê-la correndo pelo quintal com suas perninhas tortas, cheia de vida, me chamando com latidos espertos para ver os esquilos e os saguís fugindo pelos galhos das árvores.

Agradeço a Deus pela oportunidade de dividir estes anos com minha pequena. Agradeço o aprendizado; lições de vida que me tornaram um pouquinho melhor; dela cuidei com todo amor e ela me correspondeu com igual dedicação, e principalmente com alegria.

O futuro: que possamos nos re-encontrar em algum lugar para retomar essa amizade tão linda.

Obrigada Babí por tudo o que aprendí com você.
Até a volta.

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