1 de jul de 2010

Pânico 6 - Viagem ao centro de si mesmo

O ressentimento pelo abandono afetivo, real ou simbólico, é uma das causas da ferida que o fóbico, na sua construção imaginária de não ser "bom o suficiente" para merecer os suprimentos afetivos essenciais e por, equivocadamente, buscar conquistá-los através do perfeccionismo e da auto-exigência, negando seus instintos e afastando-se de si mesmo, acaba por não permitir que seja curada, mas antes, permite que ressurja na desrealização do evento do pânico.

Não é o mundo lá fora que assusta, mas o mundo aqui dentro, fragmentado e desconectado do ser interior; a falta de domínio sobre si mesmo e a desconsideração da capacidade da mente para enfrentar as aflições da vida através de um diálogo interior significativo, baseado em raciocínio e intuição, este sim capaz de orientar para a compreensão e administração do mundo "lá fora", e principalmente para o reconhecimento e a identificação de si mesmo.

Pã, tão feio, primitivo e instintual, rejeitado com horror pela sua mãe, a ninfa Dríope, reaparece para assustar aqueles que têm medo de si mesmos porque reprimem a vida instintual e perdem o contato essencial com seu centro.

Para se viver uma vida plena torna-se necessário saber realmente quem se é; descobrir seu centro e retornar para ele. Trata-se de um processo: identificar, confrontar, re-significar e integrar.

Viagem ao centro de si mesmo: recuperando o contato perdido.

A partir de agora descrevo algumas ações que podem ser conscientemente dirigidas para se entender e controlar as crises de pânico. Antes, visite neste blog: Mandala, o círculo mágico.

1. A Mandala

Mandalas são símbolos que brotam do interior da mente.

"Jung, pela experiência pessoal e pelo seu trabalho junto aos pacientes, observou o mesmo motivo de mandalas surgindo espontaneamente quando a psique estava em processo de reintegração em seguida a momentos de desequilíbrio. (...) Jung viu que em seus pacientes esquizofrênicos, 'os símbolos de mandalas aparecem com frequência em momentos de desorientação psíquica, como fatores compensadores da ordem.' ( ...) Concluiu ele que a mandala é um arquétipo da ordem, da integração e da plenitude psíquica, surgindo como esforço natural de autocura."
(Moacanin, Radmila. A Psicologia de Jung e o Budismo Tibetano. Ed. Cultrix/Pensamento, 1986)

O evento fóbico é um movimento de dispersão da mente, um momento de desorientação, conforme lemos acima, e que carece de reorganização das energias psíquicas.

Ao desenhar mandalas, conscientemente orientadas, é possível produzir resultados como: reencontro com o centro nuclear (eutimia), (re)equilíbrio emocional, fortalecimento da mente através do autoconhecimento (identificação dos seus pontos vulneráveis, complexos, etc), abrandamento dos eventos fóbicos e até mesmo a desejada dissolução da fobia.

Finalidade de desenhar mandalas conscientemente orientadas: produzir alterações benéficas na mente e no comportamento, experimentar sentimentos e emoções de qualidade superior.

As mandalas se originam no inconsciente coletivo e por isso mesmo quando desenhamos mandalas conscientemente orientadas remetemos à sua fonte originária padrões de ajustamento, organização, transformação, interação e integração, entre outros.

1º Passo: desenhar uma mandala espontânea.

Material: papel sulfite, lápis preto e lápis de cor.

Procure uma ambiente calmo onde possa ficar sozinho para fazer o exercício.

Respire fundo, solte o ar devagar. Relaxe. Repita 3 vezes.

Desenhe um círculo a lápis sobre papel sulfite.

Dentro deste círculo desenhe livremente o que lhe vier à cabeça. Use lápis preto ou lápis de cor para desenhar, à sua escolha.

Deixe se guiar pela intuição; você pode escolher desenhar apenas dentro do círculo ou extrapolar as margens, etc. Este é o seu desenho, faça como sentir que deve fazer.

Ao terminar, respire novamente.

Sinta se deseja acrescentar alguma coisa. Mas não apague nem faça qualquer correção.

Admire seu desenho: ele é a manifestação visível de uma verdade invisível.
(A seguir, próximo passo.)

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