19 de abr de 2007

OS 300 DE ESPARTA - UMA VISÃO FILOSÓFICA DO FILME

A batalha de Termópilas registrada no filme apresenta atores de carne e osso atuando no cenário de um desenho animado riquíssimo nos efeitos e nas cores. Aqui se inicia a dualidade Fantasia x Realidade que vai permear a história.

Baseada em fatos reais - a batalha efetivamente aconteceu na região norte da Grécia, Ásia Menor, em 480 a.C. - o embate aqui ocorre entre gregos e persas - mas também entre DUAS IDÉIAS que se opõem tão ou mais vigorosamente do que os guerreiros envolvidos.

O Rei Leônidas (e o seu grupo de 300 espartanos) traduz a Ética e o uso convicto da Razão: pugna pela justiça, pela honra, pelo dever (de rei), pela dignidade e pelo respeito devido ao seu povo.

Xerxes incorpora de modo incomparável o ídolo andrógino (mitológico) na aparência inconfundível, nos gestos lentos e cheios de ambiguidade, no discurso capcioso (o querer "terra e água" - que já os tinha muito e deles não precisava, embora os quizesse) e a fala direta: que Leônidas (a Razão) dobrasse seus joelhos diante do Poder. Esta sim, para Xerxes, a maior conquista individual.

Xerxes aparece em tamanho gigantesco para um homem, o que não é, e a sua vontade poderosa (exercício arbitrário do Poder) busca tão somente aniquilar a Razão e impedir que o Rei Leônidas seja lembrado pela posteridade - o que não ocorre, pois o rei espartano é "pessoa" viva na memória e na História dos povos após 2.500 anos.

São alguns símbolos míticos percebiddos ao longo do filme:

O Lobo - o confronto do adolescente Leônidas com o seu inconsciente. Matar o lobo é atravessar o portal e renascer herói+homem para que possa retornar à sua cidade e enfim tornar-se rei.

Xerxes - manifestação do Poder (irracional), destruidor dos valores éticos e das estruturas morais (e físicas) dos "outros homens. Assim funcionam muitos governantes no mundo de hoje.
Busca matar os guerreiros (consegue) e as idéias (divergentes das suas), o que NÃO consegue. Apesar de o espartano corrupto do Conselho declarar que todo homem tem seu prêço, a ética de Leônidas irá prevalecer.

Corcunda - o homem bruto (grande massa física, mínima razão). Atendido nas suas necessidades fisiológicas básicas (representadas no filme pela festa com mulheres, "circo", "pão" e sexo) prontamente se ajoelha diante do Poder do deus-rei Xerxes; o homem ignorante docilmente submete-se.

Homem sem cérebro - o gigante feroz igualmente não pensa; é puro instinto (não governado e não governável) a exibir sua potência destruidora. Uma sociedade de homens auto-orientados pelo instinto, não pensantes, não regulados, não conscientes dos limites e barreiras necessários para o exercício responsável da Liberdade, do Amor e da Honra, nada constrói para si nem por si.

A Oráculo - ponte entre os homens e os deuses (arquétipo). O ritual da invocação é desvirtuado pelos velhos encapuzados que aí representam uma "lei" que deveria ser respeitada até mesmo pelo Rei Leônidas. O Oráculo (a consulta) se desvirtua na medida em que os procedimentos são manipulados a favor dos persas e contra os espartanos (corrupção). Leônidas sai dali abatido e enfraquecido pois tal é o efeito da corrupção sobre as normas éticas, por ele ali representadas.

A Rainha Gorgo manifesta o equilíbrio entre a anima e o animus: o rei ama, respeita, consulta, ouve e considera as opiniões de sua rainha. Especialmente, faz sexo com ela com a naturalidade que sói haver entre um homem e uma mulher. (Vale ressaltar que em Esparta as mulheres eram consideradas meramente procriadoras, parideiras de homens preciosos.)

No filme a Rainha Gorgo tem papel de destaque e função política espetacular. Na ausência do rei enfrenta a corrupção, e, o que é esplendoroso, ganha a batalha específica no campo da política e da argumentação. Talvez por isso sofra a agressão padrão que mesmo dos dias de hoje é desferida contra mulheres que se destacam: o conselheiro corrupto tenta reduzir a estatura feminina mediante o recurso covarde da desqualificação moral chamando a rainha de vadia.

Em resumo, Xerxes vence a batalha em campo ao aniquilar fisicamente os guerreiros espartanos, mas NÃO VENCE o embate das idéias (Razão). O Rei Leônidas passa à História como Homem Histórico Forte, possuidor de valores tais como: coragem, amizade,amor, honra, dever, lealdade e solidariedade ...

2 comentários:

  1. Gostei muito da sua visão filosófica sobre esse filme, vc já fez sobre odisséia e tróia?

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  2. parabéens muuito obgadaaa vc possui uma visãao filosóficaa super interessante !!!me ajudou num trabalho akee tbm :D bjoo

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